
De olho na disputa pelo Palácio do Planalto, o governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB-PE) acompanha de perto a administração da Prefeitura do Recife. Assim como a gestão de Fernando Haddad (PT) em São Paulo é acompanhada de perto pelo ex-presidente Lula para que não prejudique a campanha de Dilma Rousseff à reeleição e a do ministro Alexandre Padilha (Saúde) ao governo paulista, o governo Geraldo Julio é monitorado por Campos em frequentes reuniões. Muitas vezes os encontros envolvem secretários estaduais e municipais.
Um bom desempenho de Julio na prefeitura é tido como essencial para que Campos consiga eleger seu sucessor e para que a vitrine do Recife não se torne vidraça na disputa nacional.
'POSTES'
Haddad e Julio foram apelidados de 'poste' nas eleições de 2012.
Sem experiência política, participaram dos governos federal e de PE, respectivamente. Haddad atuou como ministro da Educação. Julio foi secretário de Desenvolvimento Econômico e presidente do complexo de Suape.
A preocupação foi reforçada por pesquisa interna do PSB feita no mês passado. O levantamento apontou que a atuação do prefeito em áreas que serão vitrine da campanha de Campos, como segurança, ainda não foi reconhecida pela população.
No geral, a maioria dos entrevistados disse que o prefeito não cumpriu as principais promessas de campanha porque 'não teve tempo'.
LABORATÓRIO
Campos escalou Geraldo Julio para enfrentar o PT nas últimas eleições municipais. O combate serviu de laboratório para o governador traçar sua estratégia de atuação em 2013 e 2014.
No governo de PE, a avaliação é que a situação de Julio é mais fácil do que a de Haddad. Diferentemente do prefeito de SP, o pessebista deixou medidas impopulares, como reajuste do IPTU, para depois das eleições.
Além disso, o prefeito do Recife apostou em medidas de impacto midiático no primeiro ano de governo: ciclofaixas aos domingos e feriados, conserto de vias esburacadas e orientadores de trânsito para congestionamentos.
Neste ano, deve inaugurar obras como a Via Mangue, uma das principais intervenções de mobilidade na cidade, iniciada ainda durante os 12 anos de gestão petista. (Informações da Folha de S.Paulo - Daniel Carvalho)
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